Agenda de Compromissos da Reitoria
Após 25 dias de mobilização, a reitoria da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) se reuniu com representantes dos estudantes para discutir as propostas apresentadas durante a greve. A reunião, que ocorreu no dia 2 de junho de 2026, resultou na elaboração de uma lista de compromissos que inclui medidas relacionadas a permanência estudantil, moradia, inclusão, mobilidade e ações de apoio ao estudante, visando o atendimento às reivindicações dos alunos.
Histórico da Greve na Unicamp
A greve teve início em 5 de maio em Limeira e a adesão se expandiu para o campus de Campinas a partir do dia 8. O movimento estudantil ganhou força, culminando na aprovação da greve geral em 18 de maio. As paralisações foram motivadas pela insatisfação em relação à falta de respostas para as demandas dos estudantes, especialmente em relação à moradia e políticas de permanência.
Preocupações do Diretório Central dos Estudantes
O Diretório Central dos Estudantes (DCE) expressou sua preocupação com a ausência de um cronograma claro para a implementação das propostas apresentadas pela reitoria. Em nota oficial, o DCE fez menção à necessidade de discutir esses compromissos com toda a comunidade estudantil em uma assembleia geral marcada para o dia 8 de junho, com o objetivo de decidir os próximos passos da mobilização.

A Importância da Moradia Estudantil
Uma das principais reivindicações dos estudantes é a melhoria e a ampliação da moradia estudantil. Este ponto é considerado fundamental para garantir a dignidade de alunos que dependem da universidade para residir durante seus estudos. A reitoria propôs a criação de um grupo de trabalho para discutir alternativas de moradia, uma medida que reflete a urgência da questão, especialmente após a falta de respostas em uma reunião do Conselho de Reitores.
Investimentos em Mobilidade e Acessibilidade
Outra questão relevante discutida foi a mobilidade entre os campi e dentro deles. A reitoria da Unicamp se comprometeu a promover ações que visem aprimorar o transporte estudantil e a acessibilidade nos espaços da universidade. Isso inclui a ampliação e qualificação de áreas destinadas à convivência e à representação estudantil.
Ampliação do Apoio Psicossocial
A saúde mental e o bem-estar dos estudantes também são prioridade na listagem de compromissos. A Unicamp anunciou que aumentará as equipes de apoio psicossocial, além de fortalecer as estruturas de acolhimento para que todos os alunos possam se sentir seguros e bem assistidos. Essas ações têm como objetivo promover um ambiente universitário mais inclusivo e acolhedor.
Grupos de Trabalho para Diversidade e Inclusão
Os estudantes também enfatizaram a importância de políticas que tratem de diversidade, inclusão e permanência. As propostas incluem a criação de mecanismos que garantam o acompanhamento de ações voltadas à diversidade e acessibilidade, integrando todos os segmentos da população acadêmica.
Reivindicações dos Estudantes
As demandas do movimento estudantil abrangem diversos aspectos essenciais para a qualidade de vida acadêmica, como:
- Bolsas de estudo e ações para a permanência;
- Melhorias no transporte entre os campi;
- Acesso a serviços de saúde especializados;
- Implantação do Serviço de Atenção à Violência Sexual (SAVES) em Limeira;
- Espaços físicos adequados para centros acadêmicos;
- Abandono da terceirização de serviços;
- Oposição à autarquização do Hospital de Clínicas.
O DCE afirmou que a greve continuará até que haja uma resposta concreta da Unicamp sobre esses e outros assuntos, priorizando sempre a questão da moradia estudantil e demais políticas de permanência.
Próximos Passos após as Propostas
Com as propostas apresentadas pela reitoria, o DCE convocou a assembleia geral. Essa reunião será crucial para definir os próximos passos do movimento, incluindo a possibilidade de novas paralisações ou a continuidade da greve, dependendo do posicionamento da universidade sobre as demandas dos alunos. O retorno da reitoria sobre as implementações será avaliado em conjunto com os estudantes.
Impacto da Greve na Comunidade Acadêmica
A greve na Unicamp não apenas mobiliza os alunos, mas também gera uma reflexão mais ampla sobre as questões que afetam a comunidade acadêmica como um todo. As discussões em torno da moradia, inclusão e acessibilidade impactam diretamente a qualidade do ensino e a experiência universitária, ressaltando a necessidade de um diálogo constante entre a gestão da universidade e os estudantes.
A continuidade dessa luta reflete o desejo de construir uma universidade mais inclusiva, acessível e que atenda às necessidades fundamentais dos seus estudantes, garantindo a dignidade e a permanência em sua trajetória acadêmica.
O resultado dessa mobilização estudantil servirá de exemplo para futuras ações e discussões dentro da dinâmica universitária, ressaltando o papel ativo dos estudantes na busca por melhorias e pelas condições adequadas em sua formação acadêmica.


